Saúde bucal
Gravidez e dentista: pode tratar os dentes na gestação?
Por Dra. Emanuelle Reis (CRO-MG 43164)10 min de leitura
Em resumo
Sim, você pode ir ao dentista na gravidez, e o acompanhamento é recomendado em todas as fases da gestação. Limpezas, tratamento de gengivite e de cárie são considerados seguros quando bem indicados e, se puderem ser programados, costumam ficar para o segundo trimestre. Urgências são tratadas a qualquer momento. Radiografias são feitas só quando necessárias, com avental de proteção e protetor de tireoide. A conduta depende de avaliação clínica individual e, quando preciso, de conversa com o obstetra.
É seguro ir ao dentista durante a gravidez?
Sim. O acompanhamento odontológico durante a gestação é seguro na grande maioria dos casos e faz parte de um pré-natal bem conduzido. No Brasil, as orientações de pré-natal do Ministério da Saúde incluem a consulta com o cirurgião-dentista, justamente porque a gravidez traz mudanças que afetam a boca e porque infecções bucais não tratadas podem causar dor, dificultar a alimentação e trazer complicações para a gestante.
Muitas gestantes adiam a consulta por receio de que a anestesia, a radiografia ou os medicamentos prejudiquem o bebê. Esse cuidado é compreensível, mas adiar um problema que já existe costuma ser pior do que tratá-lo de forma planejada. Uma cárie profunda ou uma inflamação na gengiva tende a evoluir, e o que poderia ser resolvido com uma restauração simples pode virar uma dor intensa no fim da gestação.
O que muda é o planejamento. O dentista precisa saber que você está grávida, de quantas semanas, se há alguma condição como pressão alta, diabetes gestacional ou gestação de risco, e quais medicamentos e suplementos você usa. Com essas informações, cada procedimento é avaliado considerando o momento da gravidez e, quando necessário, em diálogo com o obstetra que acompanha você.
Qual é o melhor período da gestação para tratar os dentes?
O tratamento odontológico pode ser feito em qualquer fase da gravidez quando há necessidade, mas cada trimestre tem características próprias, que ajudam a decidir o que fazer e quando.
Primeiro trimestre (até cerca de 13 semanas)
É a fase em que os órgãos do bebê estão se formando e em que enjoos e cansaço costumam ser mais intensos. Por isso, procedimentos eletivos, que podem esperar algumas semanas, costumam ser programados para depois. Consultas de avaliação, orientação de higiene e limpeza são bem-vindas, e situações de dor ou infecção não devem ser adiadas.
Segundo trimestre (cerca de 14 a 27 semanas)
Costuma ser o período mais confortável para tratamentos que exigem mais tempo na cadeira, como restaurações, tratamento de gengiva e, quando indicado, tratamento de canal. Os enjoos geralmente diminuem e a barriga ainda não atrapalha tanto a posição durante o atendimento.
Terceiro trimestre (a partir de 28 semanas)
O atendimento continua possível, mas o conforto passa a ser prioridade. Ficar muito tempo deitada de barriga para cima pode fazer o peso do útero comprimir uma veia importante (a veia cava) e causar tontura, enjoo e queda de pressão. Por isso, as consultas tendem a ser mais curtas, com o encosto da cadeira mais elevado e o corpo levemente inclinado para o lado esquerdo (por exemplo, com uma almofada sob o quadril direito), com pausas sempre que você precisar. Tratamentos mais extensos e não urgentes podem ficar para depois do parto. Se sentir tontura, falta de ar ou mal-estar na cadeira, avise na hora: mudar de posição costuma bastar para aliviar.
Gengivite gestacional: por que a gengiva sangra mais na gravidez
As alterações hormonais da gestação, especialmente o aumento de progesterona e estrogênio, deixam a gengiva mais sensível à placa bacteriana. O resultado é uma inflamação mais intensa do que a mesma quantidade de placa provocaria fora da gravidez. Essa condição, chamada gengivite gestacional, é comum e costuma aparecer a partir do segundo mês, ficando mais evidente ao longo do segundo e do terceiro trimestre.
Os sinais mais frequentes são:
- gengiva vermelha, inchada ou brilhante;
- sangramento ao escovar ou ao passar o fio dental;
- sensibilidade ao toque e, às vezes, mau hálito.
Algumas gestantes desenvolvem também um pequeno nódulo avermelhado na gengiva, conhecido como granuloma gravídico (ou granuloma piogênico da gravidez). É uma lesão benigna, costuma estar associada à placa e à irritação local e muitas vezes regride depois do parto, mas precisa ser avaliada pelo dentista, principalmente se sangrar com facilidade ou atrapalhar a mastigação.
O tratamento da gengivite na gravidez costuma ser simples e é considerado seguro: limpeza profissional para remover placa e tártaro, além de orientação de escovação e uso de fio dental adaptados à sua rotina. Quando a inflamação já atinge estruturas mais profundas, o que caracteriza a periodontite, pode ser indicada uma raspagem periodontal. Estudos observam associação entre doença periodontal e algumas complicações da gestação, como parto prematuro e baixo peso ao nascer, mas ainda não está comprovado que uma cause a outra, e essa relação segue em investigação. Manter a gengiva saudável é, de qualquer forma, um cuidado com a sua saúde geral.
Radiografia, anestesia e medicamentos: como são usados na gestação
Radiografia odontológica com proteção
A radiografia odontológica usa uma dose baixa de radiação, direcionada à boca, longe do abdômen. Mesmo assim, durante a gestação ela é solicitada apenas quando a informação é necessária para o diagnóstico ou para conduzir um tratamento, como em uma suspeita de abscesso ou antes de um tratamento de canal. Exames de rotina, sem indicação clara, podem esperar.
Quando a radiografia é indicada, ela é feita com avental de proteção plumbífero (de chumbo) sobre o abdômen e protetor de tireoide, com o menor número de tomadas possível e apenas das regiões que realmente precisam ser examinadas. Deixar de examinar um dente com infecção por receio do exame pode trazer mais problemas do que o próprio exame realizado com essas medidas.
Anestesia local
A anestesia local odontológica pode ser utilizada na gestação, na menor quantidade necessária e com técnica cuidadosa, incluindo a aspiração antes da injeção para evitar que o anestésico entre diretamente na circulação. Ela permite que o procedimento seja feito com conforto, o que também reduz o estresse e a liberação de adrenalina pelo próprio organismo. A escolha do anestésico considera o seu histórico de saúde, condições como pressão alta e o momento da gravidez. Alergias a anestésicos devem ser informadas antes do atendimento.
Medicamentos
Quando necessário, o dentista pode prescrever analgésico, anti-inflamatório ou antibiótico, escolhendo opções compatíveis com a gestação e com a fase em que você está. Sempre que houver dúvida, a prescrição pode ser alinhada com o obstetra. Alguns medicamentos devem ser evitados na gravidez: os anti-inflamatórios não esteroides, por exemplo, costumam ser evitados sobretudo a partir da segunda metade da gestação e são contraindicados no último trimestre, e certos antibióticos não são usados nesse período. Por isso, não use remédios por conta própria, nem os que você costumava tomar antes de engravidar, sem orientação profissional.
O que pode ser feito agora e o que vale a pena adiar
De forma geral, o que trata doença, alivia dor ou previne problemas costuma ser indicado durante a gravidez. Já os procedimentos estéticos ou eletivos de maior porte costumam ser programados para depois do parto. A decisão é sempre individual, mas a divisão costuma ser esta:
- Indicados durante a gestação: consulta de avaliação, limpeza e remoção de tártaro, tratamento de gengivite, tratamento de cárie e restaurações, aplicação de flúor quando indicada e atendimento de urgência.
- Possíveis com avaliação: tratamento de canal, extração de um dente com infecção ou dor e drenagem de abscesso, preferencialmente no segundo trimestre quando não houver urgência.
- Geralmente adiados: clareamento dental, facetas e lentes de contato dental, implantes, enxertos e cirurgias eletivas, como a remoção de siso sem sintomas.
Se você já usa aparelho ortodôntico, a manutenção pode continuar, com atenção redobrada à higiene, já que a gengiva fica mais propensa a inflamar. Na Er Prime Odontologia, o plano de tratamento de cada gestante é montado com calma, explicando o que é prioridade agora e o que pode esperar, sempre respeitando o momento da gravidez.
Cuidados em casa e sinais que pedem atenção
A rotina em casa faz grande diferença na saúde bucal da gestante. Alguns cuidados ajudam bastante:
- escove os dentes pelo menos duas vezes ao dia com creme dental com flúor e use fio dental diariamente;
- se a escova provocar enjoo, use uma escova de cabeça menor, escove com calma e experimente cremes dentais de sabor mais suave;
- depois de vomitar, enxágue a boca com água (ou com um enxaguante com flúor sem álcool, se o dentista orientar) e espere cerca de 30 minutos para escovar, porque o ácido do estômago amolece temporariamente o esmalte;
- prefira água entre as refeições e reduza lanches açucarados frequentes, que aumentam o risco de cárie;
- mantenha as consultas de acompanhamento combinadas com o seu dentista;
- não use medicamentos, géis ou receitas caseiras na gengiva ou no dente dolorido sem orientação profissional.
Quando procurar atendimento imediato
Dor de dente forte, gengiva com pus ou inchaço no rosto devem ser avaliados pelo dentista o quanto antes, em qualquer fase da gestação. Se houver inchaço que se espalha para o olho ou para o pescoço, febre alta, dificuldade para respirar ou engolir, ou sangramento que não para, procure um pronto-socorro imediatamente e informe que você está grávida e de quantas semanas. São situações que precisam de atendimento de urgência.
Avaliação odontológica na gestação em Belo Horizonte
Se você está grávida ou planejando engravidar, uma consulta de avaliação ajuda a identificar o que precisa de cuidado e a organizar o tratamento no momento mais confortável. Idealmente, essa consulta acontece antes da gestação ou logo no início, mas nunca é tarde para começar.
Na Er Prime Odontologia, em Belo Horizonte, a Dra. Emanuelle Reis, cirurgiã-dentista (CRO-MG 43164), com quase 10 anos de experiência clínica e mais de 5.000 pacientes atendidos ao longo da carreira, conduz consultas sem pressa, com explicação clara de cada etapa e planejamento individual, em um ambiente acolhedor e reservado. As áreas de atuação incluem clínica geral, odontologia estética e reabilitadora, ortodontia, endodontia, clareamento e implantes, o que permite acompanhar você durante a gestação e depois dela.
A clínica fica na Rua Serenata, 17, bairro Nossa Senhora da Conceição, Belo Horizonte/MG, CEP 30250-000. O atendimento é com hora marcada, das 9h às 18h. Para agendar uma avaliação, entre em contato pelo WhatsApp (31) 98718-9233 e informe as semanas de gestação, para que a consulta seja organizada com o cuidado que esse período pede.
Perguntas frequentes
Grávida pode tomar anestesia no dentista?
Sim. A anestesia local usada na odontologia pode ser aplicada durante a gravidez, na menor quantidade necessária e com escolha do anestésico de acordo com o seu histórico de saúde. Ela permite que o tratamento seja feito com conforto e evita que a dor e o estresse atrapalhem o atendimento. Informe sempre que está grávida, de quantas semanas e se tem alguma condição como pressão alta ou diabetes gestacional.
Gestante pode fazer radiografia odontológica?
Pode, quando o exame é necessário para o diagnóstico ou para conduzir o tratamento, como em suspeita de infecção ou antes de um tratamento de canal. A dose é baixa e direcionada à boca, e o exame é feito com avental de proteção plumbífero sobre o abdômen e protetor de tireoide. Radiografias de rotina, sem indicação clara, costumam ser adiadas para depois do parto.
Qual o melhor mês da gravidez para ir ao dentista?
Para tratamentos que podem ser programados, o segundo trimestre, entre o quarto e o sexto mês aproximadamente, costuma ser o período mais confortável. Ainda assim, a consulta de avaliação e a limpeza podem ser feitas em qualquer fase, e dor, infecção ou inchaço devem ser tratados no momento em que aparecem, sem esperar o trimestre ideal. A conduta depende da avaliação individual.
Gengiva sangrando na gravidez é normal?
É comum, por causa das alterações hormonais que deixam a gengiva mais sensível à placa bacteriana, mas não deve ser ignorado. O sangramento indica inflamação, e a gengivite gestacional costuma responder bem à limpeza profissional e a uma higiene cuidadosa em casa. Se o sangramento for intenso, houver pus, dor ou um nódulo na gengiva, procure o dentista para avaliação.
Posso fazer clareamento dental durante a gravidez?
O clareamento dental costuma ser adiado durante a gestação e a amamentação. Ele é um procedimento estético, sem urgência, e por precaução a recomendação mais conservadora é aguardar, já que não há estudos suficientes sobre o uso dos agentes clareadores nessa fase. Enquanto isso, a prioridade é manter dentes e gengiva saudáveis. Depois do parto, uma nova avaliação indica se o clareamento é adequado para o seu caso e qual técnica faz mais sentido.
Procedimentos citados
Conteúdo educativo, escrito e revisado pela Dra. Emanuelle Reis (CRO-MG 43164). Não substitui a avaliação clínica individual.