Urgência
Dente quebrou: o que fazer, como guardar o fragmento e quando é urgente
Por Dra. Emanuelle Reis (CRO-MG 43164)11 min de leitura
Em resumo
Se um dente quebrou, o primeiro passo é manter a calma, enxaguar a boca com água, conter o sangramento com gaze, guardar o fragmento úmido em leite, soro fisiológico ou água e procurar um cirurgião-dentista o quanto antes. Dor intensa, ponto avermelhado na fratura e dente mole ou fora do lugar indicam urgência. O tratamento depende de avaliação clínica e, muitas vezes, de radiografia.
Dente quebrou: o que fazer nos primeiros minutos
Um dente quebrado costuma assustar, mas na maior parte das vezes é possível agir com calma e organizar os próximos passos. Morder algo duro, sofrer uma queda, levar uma pancada durante o esporte ou ter um dente já enfraquecido por cárie ou por uma restauração grande estão entre as causas mais frequentes. O que você faz nos primeiros minutos ajuda a proteger a região e pode facilitar o tratamento.
- Enxágue a boca com água em temperatura ambiente para remover resíduos e enxergar melhor o que aconteceu. Faça isso com delicadeza, sem bochechos fortes.
- Controle o sangramento, se houver, pressionando uma gaze limpa ou um pano limpo dobrado sobre o local por alguns minutos.
- Aplique compressa fria do lado de fora do rosto, envolta em um pano, por períodos curtos, para ajudar a reduzir o inchaço.
- Procure o fragmento do dente e guarde-o da forma correta, como explicado a seguir.
- Entre em contato com um cirurgião-dentista e descreva o que aconteceu: como foi o acidente, se há dor, sangramento e se o dente está mole.
Se a fratura aconteceu por queda ou pancada na cabeça, observe também sinais gerais, como desmaio, vômitos, tontura, confusão ou dor de cabeça forte. Nesses casos, a prioridade é um atendimento médico de urgência, antes do cuidado com o dente.
Como guardar o fragmento do dente quebrado
Guardar o pedaço que se soltou pode fazer diferença. Em muitas fraturas da coroa (a parte visível do dente), o fragmento pode ser reaproveitado em um procedimento chamado colagem de fragmento, que ajuda a preservar a forma e a cor do seu dente. Essa possibilidade depende do tamanho da peça, do estado em que ela chega ao consultório e da extensão da fratura, e só é definida na avaliação.
Como conservar o fragmento
- Segure o pedaço com cuidado, sem esfregar.
- Coloque-o em um recipiente limpo com leite, soro fisiológico ou água, de modo que fique coberto e hidratado.
- Evite deixá-lo seco em papel, guardanapo ou no bolso: o ressecamento pode alterar a cor e prejudicar a adesão.
- Se o dente quebrou em mais de um pedaço, guarde todos no mesmo recipiente.
- Leve o recipiente com você à consulta.
Se o dente saiu inteiro da boca
Quando um dente permanente sai por completo, com a raiz, a situação é diferente e o tempo conta muito. Segure-o pela coroa, nunca pela raiz. Se estiver sujo, enxágue rapidamente em leite, soro fisiológico ou água corrente fria, sem escovar e sem esfregar. Quando possível, tente recolocá-lo no lugar com cuidado e morda uma gaze para mantê-lo firme. Se não conseguir, mantenha-o em leite, soro fisiológico ou em um pouco da própria saliva, em um recipiente limpo, e procure atendimento odontológico imediatamente. Quanto menos tempo o dente passa fora da boca, e especialmente seco, maiores são as chances de ele se manter.
Dentes de leite que saíram inteiros não devem ser recolocados, porque a manobra pode prejudicar o dente permanente que está se formando. Nesse caso, leve a criança ao dentista para avaliação.
Tipos de fratura dental e por que a avaliação é importante
Nem toda fratura é igual, e a aparência nem sempre revela a profundidade do problema. De forma geral, as fraturas podem ser:
- Lasca ou trinca no esmalte: atinge apenas a camada mais externa. Costuma causar pouco ou nenhum incômodo, mas pode deixar a borda áspera ou cortante.
- Fratura de esmalte e dentina: expõe a camada abaixo do esmalte, de tom mais amarelado. É comum haver sensibilidade ao frio, ao calor e ao ar.
- Fratura com exposição da polpa: a parte interna do dente, onde ficam nervos e vasos sanguíneos, aparece como um ponto rosado ou avermelhado, às vezes com sangramento. Pede atendimento rápido.
- Fratura de cúspide: mais comum em dentes posteriores com restaurações grandes, quando parte da superfície de mastigação se solta.
- Fratura que se estende abaixo da gengiva: às vezes um pedaço fica solto, mas ainda preso à gengiva. Esse tipo de quebra precisa de avaliação cuidadosa antes de qualquer remoção.
- Fratura de raiz ou fratura vertical: pode não ser visível a olho nu e se manifestar como dor ao mastigar, dente com mobilidade ou inchaço na gengiva. Exige exame clínico e radiografia para o diagnóstico.
Por isso, mesmo quando a quebra parece pequena e não dói, a avaliação é recomendada. Uma trinca discreta pode avançar com o tempo, e uma fratura de raiz pode estar presente sem sinais evidentes no início.
Quando um dente quebrado é urgência
Todo dente quebrado merece avaliação, mas algumas situações pedem atendimento odontológico no mesmo dia ou o quanto antes:
- dor intensa, contínua ou que piora com o passar das horas;
- ponto rosado ou avermelhado no centro da fratura, sinal de possível exposição da polpa;
- dente mole, deslocado, empurrado para dentro da gengiva ou fora da posição habitual;
- dente permanente que saiu inteiro da boca;
- mudança na forma como os dentes se encaixam ao fechar a boca;
- cortes na gengiva, nos lábios ou na língua.
Sinais de alarme: procure pronto-socorro
Alguns sinais indicam que é preciso procurar atendimento de urgência ou um pronto-socorro, sem esperar pela consulta odontológica:
- inchaço que se espalha para o olho, para o pescoço ou para baixo da mandíbula;
- febre alta;
- dificuldade para respirar, engolir ou abrir a boca;
- sangramento que não para mesmo com pressão firme por vários minutos;
- pancada forte na cabeça, com desmaio, vômitos, sonolência ou confusão;
- suspeita de fratura no maxilar ou na mandíbula.
Quando a fratura é pequena, não causa dor e não há sinais como esses, em geral é possível agendar uma consulta nos próximos dias. Ainda assim, não convém adiar por muito tempo: uma borda exposta pode acumular bactérias, machucar a língua e se ampliar com a mastigação.
O que evitar até a consulta
Enquanto aguarda o atendimento, alguns cuidados ajudam a evitar que a situação piore:
- Evite mastigar do lado do dente quebrado e prefira alimentos macios.
- Evite alimentos e bebidas muito quentes, muito gelados ou muito doces, que costumam aumentar a sensibilidade.
- Não tente colar o fragmento em casa com cola instantânea ou qualquer produto não odontológico. Essas substâncias podem irritar os tecidos e dificultar o tratamento.
- Não puxe nem arranque um pedaço que ainda está preso à gengiva. Deixe que o dentista avalie como removê-lo ou mantê-lo.
- Não coloque comprimidos diretamente sobre a gengiva ou o dente. Essa prática pode causar queimaduras na mucosa.
- Evite remédios caseiros aplicados no local e não use lixas ou outros objetos para tentar ajeitar a borda.
- Não tome medicamentos por conta própria. Se houver dor, converse com o cirurgião-dentista, que pode orientar ou prescrever analgésico ou anti-inflamatório quando indicado. O antibiótico só é usado quando há indicação clínica, como em casos de infecção.
Se a borda estiver cortando a língua ou a bochecha, uma pequena porção de cera ortodôntica, vendida em farmácias, pode cobrir a área de forma temporária. Mantenha a higiene da boca com escovação delicada na região, sem deixar de limpar os outros dentes.
Como o dentista pode tratar um dente quebrado
O tratamento é definido depois do exame clínico e, com frequência, de uma radiografia, que mostra se a fratura alcançou a polpa ou a raiz. As possibilidades mais comuns incluem:
- Polimento ou ajuste: em pequenas lascas de esmalte, alisar a borda pode ser suficiente.
- Restauração com resina composta: reconstrói a parte perdida com material na cor do dente, em fraturas pequenas e médias.
- Colagem de fragmento: quando o pedaço foi bem conservado e se encaixa adequadamente, ele pode ser reposicionado com materiais adesivos odontológicos.
- Proteção da polpa: em algumas exposições pequenas e recentes, sobretudo em dentes jovens, pode ser possível tentar preservar a polpa com procedimentos mais conservadores, com acompanhamento.
- Tratamento de canal: indicado quando a polpa foi atingida e não há condições de preservá-la, ou quando há sinais de inflamação ou infecção.
- Coroa ou restauração indireta: em fraturas extensas, para proteger o que restou da estrutura do dente.
- Extração: em alguns casos, como certas fraturas verticais de raiz, pode não ser possível manter o dente. Nessa situação, as alternativas de reposição são discutidas com você.
Os procedimentos costumam ser feitos com anestesia local para o seu conforto. A durabilidade de cada solução varia conforme a extensão da fratura, a mordida, hábitos como apertar ou ranger os dentes e os cuidados de higiene. Dentes que sofreram trauma também podem precisar de acompanhamento com consultas e radiografias periódicas, porque alterações na polpa, como escurecimento do dente ou sinais de infecção, às vezes aparecem semanas ou meses depois do acidente.
Como reduzir o risco de novas fraturas
Algumas medidas ajudam a prevenir: usar protetor bucal em esportes de contato, evitar morder objetos duros como canetas, gelo e caroços, tratar cáries no início e avaliar com o dentista o uso de placa se você aperta ou range os dentes durante o sono.
Avaliação de dente quebrado na Er Prime Odontologia, em Belo Horizonte
Se você está em Belo Horizonte e teve um dente quebrado, a Er Prime Odontologia pode avaliar o seu caso com calma. A consulta é conduzida pela Dra. Emanuelle Reis, cirurgiã-dentista (CRO-MG 43164), com quase 10 anos de experiência clínica e mais de 5.000 pacientes atendidos ao longo da carreira. Entre as áreas de atuação da clínica estão a clínica geral, a odontologia estética e reabilitadora e a endodontia, o que permite planejar desde uma restauração simples até um tratamento de canal ou uma coroa, conforme a indicação de cada caso.
Na consulta, você recebe uma explicação clara do que aconteceu com o dente, das opções possíveis, dos cuidados envolvidos e das limitações de cada alternativa, em um ambiente acolhedor e reservado. O planejamento é individual, e o resultado depende da avaliação clínica e dos cuidados ao longo do tempo.
A clínica fica na Rua Serenata, 17, no bairro Nossa Senhora da Conceição, em BH (CEP 30250-000). O atendimento é com hora marcada, das 9h às 18h. Para agendar ou verificar a disponibilidade de horário, envie uma mensagem pelo WhatsApp (31) 98718-9233 e, se puder, conte brevemente o que aconteceu. Lembre-se de levar o fragmento guardado. Fora desse horário, ou diante de sinais de alarme, procure um serviço de urgência ou pronto-socorro.
Perguntas frequentes
Dente quebrado que não dói precisa de tratamento?
Sim, vale a pena ser avaliado. A ausência de dor não significa que a fratura seja superficial: uma trinca pode avançar, a borda áspera pode machucar a língua e uma fratura de raiz pode não causar sintomas no início. O cirurgião-dentista examina o dente e, quando necessário, solicita radiografia para definir se basta um polimento, uma restauração ou outro cuidado. Agendar a consulta nos próximos dias costuma ser o caminho mais prudente.
Dá para colar o pedaço do dente que quebrou?
Em muitos casos, sim. Quando o fragmento foi guardado úmido, em leite, soro fisiológico ou água, e se encaixa bem, o dentista pode avaliar a colagem com materiais adesivos odontológicos. A indicação depende do tamanho da fratura, do envolvimento da polpa e do estado da peça. Nunca use cola instantânea ou produtos domésticos, porque eles podem irritar os tecidos e prejudicar o tratamento.
O que fazer se o dente da criança quebrou?
Mantenha a calma, enxágue a boca da criança com água, controle o sangramento com gaze e guarde o fragmento em leite ou soro fisiológico. Leve-a ao dentista para avaliação, mesmo que pareça algo pequeno, pois o trauma em um dente de leite pode afetar o dente permanente em formação. Se um dente de leite sair inteiro, não tente recolocá-lo. Em caso de pancada na cabeça, desmaio ou vômitos, procure primeiro um pronto-socorro.
Quanto tempo posso esperar para ir ao dentista depois que o dente quebrou?
Depende do tipo de fratura. Dente permanente que saiu inteiro pede atendimento imediato. Dor intensa, ponto avermelhado no centro da quebra ou dente mole e deslocado pedem atendimento o quanto antes, de preferência no mesmo dia. Lascas pequenas, que não doem e não sangram, geralmente podem ser avaliadas nos dias seguintes. Inchaço que se espalha, febre alta ou dificuldade para respirar ou engolir exigem procurar um pronto-socorro.
Todo dente quebrado precisa de tratamento de canal?
Não. O tratamento de canal é indicado quando a fratura atinge a polpa e não há condições de preservá-la, ou quando surgem sinais de inflamação ou infecção. Muitas fraturas envolvem apenas o esmalte ou a dentina e podem ser resolvidas com polimento, restauração ou colagem do fragmento. A definição depende do exame clínico e da radiografia. Dentes que sofreram trauma também podem precisar de acompanhamento nos meses seguintes.
Procedimentos citados
Conteúdo educativo, escrito e revisado pela Dra. Emanuelle Reis (CRO-MG 43164). Não substitui a avaliação clínica individual.